Cobertura | Olhar de Cinema 2017 – Dia #7

Filme 16 – Homem Livre

Direção: Alvaro Furloni. Roteiro: Pedro Perazzo. Elenco: Armando BabaiaoffThuany AndradeRosane MuhollandMarcio VitoGiancarlo Di TomassoLucas Gouvea.

Homem Livre é, acima de tudo, um estudo de personagem: seu protagonista, Hélio Lotte, já era um músico famoso antes de ter cometido um crime que o colocou ainda mais no foco da mídia. Após ter cumprido sua pena, o homem deseja reconstruir sua vida. E é assim que conhece um pastor evangélico que, por alguma razão, decide tentar ajudá-lo neste processo.

Com “estudo de personagem” me refiro ao fato de que a narrativa explora, sim, várias questões pertinentes e controversas (como os criminosos com status de celebridade – e é impossível não lembrar de Suzane Von Richtofen ou do casal Nardoni; não pela natureza de seus crimes, mas pelo mesmo tipo de atenção midiática -, ou do crescimento das igrejas evangélicas), mas estas acabam servindo muito mais como uma espécie de cenário ou pano de fundo do que como temática principal.

Não, ao invés disso o roteiro de Pedro Perazzo foca na mente de Hélio, um protagonista suficientemente interessante e tridimensional para conduzir a narrativa (e é necessário destacar a performance genial de Armando Babaiaoff) – o que leva o longa a nos confundir, até certo ponto, sobre sua própria natureza já que não parece ser possível entender se o mesmo se trata de um thriller psicológico ou não.

Filme 17 – Baronesa

Direção: Juliana Antunes. Elenco: Andreia Pereira de SouzaLeidiane FerreiraFelipe Rangel.

O longa de Juliana AntunesBaronesa, é um daqueles filmes que definitivamente não são fáceis de assistir: é maravilhoso, mas ao mesmo tempo um soco na boca do estômago. Foi esta expressão, inclusive, que usei para descrevê-lo assim que saí da cerimônia de premiação da 6ª edição do Olhar de Cinema que foi seguida de sua projeção. Aliás, ouso dizer que foi a escolha perfeita como filme de encerramento de um festival que costuma se voltar a produções que tratam justamente de assuntos sociais e políticos.

O docudrama retrata uma porção do dia-a-dia de Andreia e Leidiane, duas habitantes da comunidade Juliana, na periferia de Belo Horizonte. Tendo como protagonistas duas mulheres, a obra inevitavelmente traz um olhar feminino a problemas sociais que já são largamente discutidos – mas aqui sob uma ótica diferente.

Baronesa é, ao mesmo tempo que duro, libertador: por um lado vemos um grupo de mulheres protagonizando, na tela do cinema, uma conversa sobre masturbação feminina, assunto que costuma ser um tabu; por outro, vemos a violência, a pobreza extrema e uma naturalização destes.

É doloroso enxergar a naturalidade com que Andreia ou Lidiane falam sobre casos de violência, abuso sexual ou até mesmo sobre as prisões de seus companheiros ou irmãos – questões que se tornaram, naquele ambiente, tão comuns a ponto de serem discutidas como mundanas.

Crítica de Cinema desde 2017, formada em Cinema Digital pelo Centro Europeu, fotógrafa e integrante do Coletivo Elviras de Críticas de Cinema.

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